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Entrevista a Ayoko Foli

Fale-nos um pouco de si e de como veio para a associação.

Sou a Ayoko e sou originária do Togo.

Quando cheguei a Portugal, encontrei aqui alguns toguenses, e começamos a falar da terra, da saudade, foi quando decidimos reunirmo-nos e é assim é que nasce a associação. Isto em 1999.

Fazíamos uns jantarinhos e falávamos um pouco de tudo, o grupo começou a crescer e decidimo-nos organizar, formar um grupo coeso, dinâmico.

Descreva a associação e dos seus objectivos.

A associação visa o envolvimento da comunidade togulensa, a consciencialização para a cidadania activa, a conquista dos direitos, a integração na comunidade portuguesa e queremos promover o bom relacionamento entre as diferentes comunidades de forma solidária, igualitária, tanto a nível social, cultural e intelectual.

Além de ajudarmos em todas as questões e duvidas que os nossos utentes possam ter. Isto é o que pretendemos.

Vocês começam em 1999 e só foram legalizados em 2001.Quais as maiores dificuldades que sentiram neste processo, a nível de infra-estruturas, burocrático?

Da altura em que nos começamos a reunir até a legalização não tivemos grandes problemas. Em 2001 tivemos a necessidade de legalizar o grupo porque o número de pessoas começou a aumentar. Até aqui não existiam grandes problemas.

O nosso maior problema que a associação tem é a sede. Já enviamos muitas cartas a Câmara Municipal de Odivelas para nos disponibilizar um espaço, mas nunca tivemos uma resposta positiva.

A câmara não teve, não tem e nunca vai ter um espaço para nós. Tivemos sempre a porta fechadas.
A comunidade precisa de uma sede, para levar a cabo os seus objectivos. Vivemos aqui, as crianças nascem aqui. É aqui que queremos ter um espaço para nos podermos reunir e ajudar todos aqueles que os procurarem e que precisam.

Para nós, a educação não é só na escola, nós queremos transmitir a nossa educação, e como muitas vezes os pais não têm o tempo que gostariam de ter para os seus filhos, eles querem ter um espaço onde podem deixar os seus filhos e irem tratar das suas vidas.

É importante que os imigrantes tenham um espaço onde se possam deslocar e saiba que têm as portas abertas e pessoas disponíveis para os ajudarem. Falando dos toguenses falamos de todos os imigrantes.

A luta pelo espaço não vai parar. Vamos lutar até conseguir até conseguirmos. Vamos conseguir, tenho a certeza.

Qual a resposta da Câmara Municipal de Odivelas para esta falta de disponibilidade?

Sinceramente não sei, todos nós sabemos a complicação da burocracia.
Resposta é sempre a mesma, que a câmara não tem espaço.
Pedimos uma audiência com o presidente e nem sequer conseguimos falar com ele, a única coisa que obtivemos foi um vogal a dizer que o presidente não estava disponível e que ainda não tinham uma resposta para nós, que se encontrava tudo na mesma forma. Isto mostra que não têm consideração pela associação.

Com esta grande problemática como é que gere a dinâmica da associação, como é que s e organizam?

Queremos que os toguenses saibam que aqui têm uma casa, onde se podem dirigir e tentar resolver os seus problemas, esclarecerem as suas dúvidas. O protocolo que assinamos com a Escola Primária facilita-nos um pouco, porque nos deixa reunir uma vez por mês nas suas instalações, mas é pouco o que precisamos mesmo é de um espaço físico para pudermos trabalhar, ajudar os outros.
Temos que ter um espaço! E sei que vamos conseguir.

Quantas pessoas estão envolvidas na associação?

São à volta de 200 sócio até 2004,não só do Togo, mas também do Senegal, Costa do marfim, entre outros. Estamos disponíveis para todos os imigrantes.

No âmbito social, cultural e intercultural, que importância a atribui a este tipo a estas associações?

Não se esqueça que o Togo é muito pequenino, mas temos 40 etnias. Isto é muita diversidade de culturas e da própria cultura.
Isso é muito importante para nós. Queremos mostrar a nossa cultura.
Precisamos de um espaço para mostrar, a gastronomia, a cultura, a música
Quando nos perguntam o que se come, não sei o responder. Temos vários tipos de comida.

Quais são os apoios que têm?

Até agora temos sobrevivido só de quotas. Em Junho passado de 2008 fomos reconhecidos pelo ACIDI e candidatamos ao apoio, mas esse protocolo ainda não foi assinado. Mas tirando isto nunca tivemos nenhum apoio.
Temos que elaborar um plano de actividades para 2009 e através disso é que nos podemos candidatar a apoios.

Mantêm contacto com outras associações do mesmo género?

Sim, estamos estabelecer essa dinâmica. Por exemplo, com a Solidariedade Imigrante, é como nossa mãe. Fomos legalizados no mesmo dia, 11 de Junho de 2001, apoia-nos mutuamente. Desde sempre que caminhamos lado a lado para combater todas as descriminações e preconceitos que muitas vezes os imigrantes são sujeitos.

Uma mensagem…

Dia 26 de Abril vamos comemorar o dia da independência do Togo, estão todos convidados!
E vai ser uma excelente oportunidade para mostrarmos a nossa cultura, a nossa gastronomia, a nossa enorme diversidade. Somos pequeninos, mas temos muito para mostrar.

Andreia Amaral

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